Em Santo Antão, Cabo Verde, os agricultores estão a combater os ventos fortes do mar e a escassez de água através da adoção de quebra-ventos geridos pela comunidade com árvores e arbustos multifuncionais, melhorando o rendimento das colheitas e os meios de subsistência.
Em Santo Antão, a ilha mais ocidental de Cabo Verde, a agricultura tradicional concentrava-se principalmente no cultivo de culturas pluviais, como milho e feijão perene, em pequenas parcelas de terra arável disponíveis na paisagem montanhosa. Progressivamente, a irrigação em pequena escala, baseada em cisternas e sistemas de gotejamento alimentados por gravidade, tornou-se mais difundida, permitindo o cultivo de diferentes culturas durante a estação seca e contribuindo para os mercados locais e os meios de subsistência das famílias. No entanto, os agricultores ainda enfrentam desafios relacionados à disponibilidade limitada de água para as culturas, agravados pela influência constante dos fortes ventos marítimos que transportam água salgada e aumentam a evaporação do solo, diminuindo a produtividade das explorações agrícolas e limitando a geração de rendimentos.
Para fazer face a esta limitação ambiental, uma associação de agricultores de Porto Novo tem vindo a testar os efeitos dos quebra-ventos na produção hortícola, em particular combinações multifuncionais de árvores e arbustos que atenuam os efeitos dos ventos marítimos e proporcionam sombra às culturas, forragem para os animais e madeira para combustível e aparas in situ. Esses quebra-ventos consistem em plantações em fileiras únicas com espécies de arbustos e gramíneas de crescimento rápido (cana-de-açúcar, mandioca, figo da Índia e hibisco) para efeitos de curto prazo, alternadas com sementes de Moringa oleifera e Leucaena leucocephala e mudas de Coco nucifera, para construir uma camada mais alta e perene.
O sucesso da primeira experiência motivou os agricultores a expandir a técnica até aos limites de toda a área agrícola do complexo, criando um quebra-vento gerido pela comunidade que irá beneficiar todos os agricultores que trabalham nas parcelas.


